Resenhas

Max & Iggor Cavalera - 03.11.2018 - Tropical Butantã, São Paulo, SP

Por André BG | Em 07/11/2018 - 00:44
Fonte: Alquimia Rock Club

 

Fotos: Marta Ayora

 

Após quase dois anos da turnê “Return To Roots” onde celebraram os 20 anos do clássico álbum Roots do Sepultura, os irmãos Max e Iggor Cavalera retornaram ao Brasil com a turnê denominada Max & Iggor Cavalera "89/91 Era", com repertório basicamente calcado nos clássicos álbuns "Beneath the Remains" (1989) e "Arise" (1991), verdadeiras obras primas do Thrash Metal que marcaram época e influenciaram bandas do Mundo inteiro.  

 

O evento ainda contou com três bandas de abertura, sendo o power trio de Metal/Hardcore Ultra Violent a primeira a se apresentar, formada em Guarapuava no Paraná e atualmente contando com Guilherme Rocha (vocal e guitarra), Rudy Alves (baixo) e Rafael Pelete (bateria), a banda subiu ao palco poucos minutos antes do horário previsto (20:40) já com um público razoavelmente bom na casa, mas com um som infelizmente abaixo do ideal e não muito bem equalizado, que até foi melhorando no decorrer do curto set list de menos de meia hora de duração, finalizado com a porrada “Quem é Você?”. A banda foi bem recebida e aplaudida pelo público que continuou a aumentar e encher a casa, deixando uma boa impressão.

 

  

Set list: 

 

1- Intro

2- Ansiedade 

3- Um Passo Para Trás

4- I.N.E.R.T.E

5- Centoenoventa 

6- Lama de Sangue

7- Quem é Você? 

 

 

Em pouco mais de dez minutos tudo estava pronto para a atração seguinte iniciar sua apresentação, formado em Volta Redonda no Rio de Janeiro, o também power trio Deafkids, atualmente integrado por Douglas (guitarra e vocal), Marcelo (baixo) e Mariano (bateria) contou com um público e som razoavelmente melhor para mostrar seu Punk/Hardcore cheio de grooves hipnotizantes e ritmos psicodélicos carregados de efeitos eletrônicos (inclusive nos vocais) pra lá de malucos, mostrando uma personalidade forte, mas que infelizmente não caiu muito no gosto do público presente que pareceu não absorver bem a ideia, se mostrando um pouco neutro diante da performance de aproximadamente meia hora de duração, mas respeitando os músicos no palco durante toda a apresentação.

 

 

Set list: 

 

1- Limbo

2- As Mesmas Ferramentas, Os Mesmos Rituais

3- In My Flesh

4- Templo do Caos

5- You're Mine

6- Propagação

7- Pés Atados

8- Lâmina Cortante

9- Espiral da Loucura

 

E novamente, apenas um curto intervalo foi necessário para tudo estar pronto para a atração seguinte subir ao palco. Com a casa já bem cheia, era vez do Endrah mostrar seu já conhecido Deathrashcore, com a temperatura bem elevada no interior do recinto, provavelmente por conta da falta de energia elétrica na região que aparentemente impossibilitou o bom funcionamento do sistema de ar-condicionado da casa, a banda atualmente formada por Adriano Vilela (baixo, ex-Trator BR), Cesar Covero (guitarra, ex-Nervochaos e atualmente no Voodoopriest), Henrique Pucci (bateria, ex-Project46) e o americano Ryan Relentless (vocal) mandou um set list também de aproximados trinta minutos, com porradas como “A Lot of Blood” e “61 Rounds” que fizeram abrir as primeiras rodas da noite na pista da Tropical Butantã. Muito aplaudida ao final da apresentação, a banda se mostrou muito bem entrosada no palco, com destaque para o vocalista Ryan Relentless, que nitidamente ainda não domina bem o português, mas se mostrou muito carismático com o público.

 

 

Set list: 

 

1- Worms of Envy 

2- Turns Blue 

3- Priced Out of Paradise

4- A Lot of Blood 

5- Your Life Deleted

6- 61 Rounds 

 

Após intervalo um pouco maior para os ajustes finais no palco, o público que lotou a casa esperava ansiosamente pelo inicio do show dos irmãos Cavalera, e muito embora a performance ao vivo de ambos já não fosse há um bom tempo nem sombra do que foi um dia, a expectativa por parte dos fãs era indescritível, afinal, se tratava de dois dos responsáveis por colocar o Brasil no mapa do Metal mundial. O show teve seu inicio de uma forma já emocionante e nostálgica com a introdução de “Beneath the Remains” que abriu caminho para o clássico de 1989, com Max e seu visual old school e Iggor trajando a camisa do Palmeiras, clube de coração dos irmãos que horas antes do show havia vencido uma partida emocionante contra o Santos, foi um começo arrasador, já com o público totalmente alucinado abrindo uma imensa roda na pista. O clima intenso da apresentação seguiu com “Inner Self” e “Stronger Than Hate”, nessa o baixista Michael Joseph Leon roubou a cena com o solo ao final da música que ganhou uma bela encorpada. 

 

A trinca “Mass Hypnosis”, “Slaves of Pain” e “Primitive Future” fechou a primeira etapa do show de forma incrível, para na sequencia começarem a execução dos clássicos do álbum Arise, a faixa titulo com sua introdução seguida de “Dead Embryonic Cells” e “Desperate Cry” simplesmente colocaram a casa abaixo levando os fãs a loucura, que pouco se importavam com o fato de Max não aguentar cantar bem nenhuma música inteira, pois celebrar ao som de verdadeiros clássicos eternos do Thrash Metal que ajudaram a definir o estilo com sua voz original era o que mais importava naquele momento.

 

Apesar de dar uma cara diferente aos solos originais, o guitarrista Marc Rizzo (Soulfly e Cavalera Conspiracy) também merece ser destacado, dono de uma técnica inconfundível, esbanjou muita técnica e um entrosamento perfeito com Max, reforçando uma parceria que já dura mais de uma década.

 

“Altered State” e “Infected Voice” com Max esbanjando seu carisma de sempre, reforçaram sua fama de um dos maiores frontman do estilo para aqueles que o viam ao vivo pela primeira, antecedendo um dos momentos mais emocionantes da noite com Max deixando a guitarra um pouco de lado para apenas cantar a clássica versão de “Orgasmatron” do Motörhead, uma das mais agitadas da noite, o mesmo podendo ser dito de “Ace of Spades”, duas mais que justas e merecidas homenagens ao mestre Lemmy Kilmister. Após esse momento mais que especial, a banda deixou o palco com boa parte do público gritando o nome "Sepultura", na volta, ameaçaram tocar Raining Blood do Slayer e mandaram “Troops of Doom” seguida de “Refuse/Resist” com Max comandando o público de um jeito que só ele sabe fazer. E o desfecho final ficou com “Roots Bloody Roots” e novamente “Beneath the Remains” e “Arise”, dessa vez executadas de forma mesclada, fechando em grande estilo um show de pura nostalgia com aplausos e satisfação geral do público presente. 

 

Os dois foram à frente do palco para agradecer ao público e Max também fez questão de vestir sua camisa do Palmeiras para ambos posarem para a foto final, e foi nítida a satisfação e a felicidade de ambos em estarem celebrando com os fãs a obra que ajudaram a construir, para a sorte geral dos fãs que não ligam e nem tem culpa de qualquer problema ou desafeto entre quem quer que seja.

 

 

Set list: 

 

1- intro/Beneath the Remains 

2- Inner Self

3- Stronger Than Hate  

4- Mass Hypnosis  

5- Slaves of Pain 

6- Primitive Future

7- intro/Arise

8- Dead Embryonic Cells 

9- Desperate Cry  

10- Altered State 

11- Infected Voice 

12- Orgasmatron (Motörhead cover)

13- Ace of Spades (Motörhead cover)

14- Troops of Doom

15- Refuse/Resist 

16- Roots Bloody Roots

17- Beneath the Remains/Arise (medley) 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


André BG

Atual Editor Chefe

Apenas um cara que curte futebol, mulher e Rock 'n' Roll, bebe cerveja e torce para o Palmeiras!

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