Kiss - 2009 - Sonic Boom
Antes de mais nada gostaria de deixar claro que não tenho bola de cristal e que como o cd vazou na internet eu ouvi o álbum antes do lançamento oficial para fazer essa resenha, mas como kissmaniaco que sou isso só atiçou minha curiosidade e aumentou a expectativa de comprá-lo assim que for lançado.segue a resenha da primeira parte do album com as canções inéditas com a formação atual o album é triplo e conta com mais dois cds sendo que no segundo, temos a regravação de 15 clássicos do grupo (antes disponível só no Japão); e o terceiro é um DVD com seis músicas gravadas ao vivo na Argentina durante a turnê de 35 anos do grupo, que passou pelo Brasil em abril.
Sonic Boom é o mais novo trabalho dos quatro mascarados, após 13 anos sem lançar material inédito, desde a balada “Nothing Can Keep Me From You”, que entrou na trilha sonora do filme “Detroit Rock City” que o grupo não sacia a fome de material inédito de seus fanáticos seguidores e é natural que todos amantes de Kiss ou não estivéssemos curiosos, Gene Simmons como bom marketeiro que é tratou de criar um clima de expectativa com frases do tipo: “Rock And Roll Over se encontra com Love Gun”. “Sonic Boom é o Kiss renascido”. “Nosso melhor álbum em trinta anos”. “Não há baladas, nem teclados, sintetizadores ou garotas fazendo backing vocals”.E a pergunta que fica é essa: Será que Gene tinha razão em suas declarações ou estava apenas exagerando na tentativa de promover o álbum.
São varias as particularidades deste trabalho a serem levadas em conta, desde a expectativa da primeira contribuição em material inédito gravado por Tommy Thayer, que substitui Ace Frehley e até onde iria essa liberdade? A primiera gravação dos vocais de Eric Singer que sempre cantou ao vivo, a promessa de busca pela velha formula de fazer hits e resgatar o espírito dos anos 70, seria possível?
Na minha opinião Gene cumpre o que prometeu e como um bom fã de Kiss eu estava muito apreensivo e procurei ser o menos passional possível mas não posso negar que Sonic Boom é um dos destaques do ano e acompanha a serie de bons lançamentos dos dinossauros do rock como Heaven n`Hell, AC DC,Metallica, mostrando que os velhinhos ainda tem muita lenha pra queimar.
A minha primeira impressão foi boa, afinal a capa divulgada com antecedência apesar de simples já resgatava de certa forma o espírito das velhas capas dos primeiros álbuns do Kiss e a primeira música que já havia sido disponibilizada no site oficial, “Modern Day Delilah”, deixavam claro que a aposta em um grande trabalho não era arriscada, pois ela é um rock n`roll clássico da banda com um poderoso riff , vocais viscerais de Stanley, refrão totalmente Kiss anos 80, solo inspiradíssimo, e a bateria de Eric Singer com o baixo de Gene formam uma parede sonora de respeito,Melhor musica do álbum.
Russian Roulette” é uma canção inspirada de Gene Simmons que nos remete logo de cara a técnica e o swing de Revenge álbum considerado por muitos como um dos melhores da banda com especial destaque para o baixo e as guitarras e as letras insinuantes de sempre já características do linguarudo. Chama atenção como em estúdio os vocais de Gene ficam maravilhosos e a participação de Thayer que vai se consolidando na massa sonora produzida pela banda.
“Never Enough” já começa com um grito clássico de Paul Stanley que por si só já é uma viagem aos anos 70 com o refrão remetendo de alguma forma ao espírito de seu album solo de 1978 com uma roupagem adquirida nos anos 80 e 90 forte candidata a próximo single ,
“Yes I Know (Nobody’s Perfect)” dá seqüência sem deixar cair a peteca do CD, nos remetendo novamente a “Revenge”, mas que em sua continuação seu andamento segue bem mais para um rock que eles faziam no começo da carreira misturado com o estilo sacana inerente a Gene Simmons, e novamente com destaque a Thayer que mostra seu estilo e parece que não quer nos deixar com saudades nem de Bruce Kullick nem de Ace Freheley pois seu estilo remete influencias claras à ambos.
“Stand” traz Gene e Paul dividindo os microfones , uma formula que sempre deu certo somado a uma canção de refrão marcante e um hard rock me lembrando em alguns momentos como no refrão ao Van Halen com Sammi Hagar , a seção de vocais sobrepostos após o solo provam que eles realmente fizeram uma varredura em seu histórico e usaram todas as formulas que deram certo em seus melhores momentos.,não é brilhante mas mantém o pique do disco
“Hot And Cold”, Traz o Gene típico com seus vocais sacanas com a bateria de Singer agora nos remetendo aos tempos de Peter Criss e outro ótimo solo de Tommy fazendo novamente alquimia entre o estilo Ace de tocar com Bruce Kullick e claro colocando o seu tempero e estilo.
“All For The Glory” mais uma boa musica que resgata outra tradição do passado onde todos os integrantes cantavam uma musica em um album do Kiss e é a estréia “oficial” em estúdio de Eric Singer nos vocais principais, não é genial mas cumpre o que veio fazer.
“Danger Us”, Outra faixa de grande inspiração, com mais um bom riff de guitarra e outro refrão que fica martelando na cabeça, ( “Danger you, danger me, danger us” – onde Paul faz trocadilho com a palavra “dangerous” – perigoso). mais um solo sensacional de Tommy que a esta altura consolida seu nome na história do Kiss.
“I’m An Animal” Tem uma levada mais lenta e arrastada, típica das canções de Gene nos albuns “Creatures Of The Night” ou “Lick It Up”. Tiro certo novamente tudo correndo conforme o prometido até o timbre da guitarra solo nos remete ao Creatures of The Night.
“When Lightning Strikes” traz Tommy Thayer no microfone principal, e ele dá conta do recado. Se nas guitarras ele mostra influencias que hora remetem a Ace ora a Kullick claro que com muito de sua personalidade, seus vocais, entretanto, soam bem originais legitimando sua participação na banda. Falar que Eric se destaca na bateria novamente é chover no molhado é uma canção que por algum motivo me remete ao melhor de“Rock and Roll Over”.
O Kiss encerra o disco com “Say Yeah” mostrando definitivamente que reencontraram o caminho como banda, essa é uma musica que traz a assinatura do Kiss em toda sua estruturação sendo um vigoroso Rock de Arena com tudo o que tem direito.
Enfim um ótimo lançamento,um álbum de rock simples e direto, como Gene prometeu, sem frescuras e sem baladas também.O Kiss pinçou o que fez de melhor nas décadas de oitenta e noventa,redescobriu à sua velha fórmula de compor hits dos anos setenta, reencontrou o seu espírito de banda , e lançou um álbum que faz jus a história deste grande ícone que mostra que pode continuar relevante mesmo no ano de 2009 quase quarenta anos após eles terem mudado o rock n` roll pra sempre.
Nos Estados Unidos, conforme já noticiado pelo Whiplash, “Sonic Boom” será lançado também em uma versão tripla, contendo um disco com regravações de clássicos da banda (que já havia saído anteriormente no Japão) e um DVD com os melhores momentos do show de Buenos Aires neste ano.
Faixas:
01. Modern Day Delilah
02. Russian Roulette
03. Never Enough
04. Yes I Know (Nobody's Perfect)
05. Stand
06. Hot and Cold
07. All For The Glory
08. Danger Us
09. I'm An Animal
10. When Lightning Strikes
11. Say Yeah
Membro Idealizador do Projeto, Produtor de Eventos e Produtor Cultural, atuando profissionalmente na área de eventos desde 1993, na produção técnica/artística com serviços prestados em praticamente todos os veículos de comunicação: teatro, televisão, eventos sociais e coorporativos, desfiles, portal web etc. Na Produção Cultural com atividades em organizações do terceiro setor atuou como Diretor de Eventos do I.A.C.E ( Instituto de Ação Cultural e Ecológica) desde o ano 2000 até 2010 com eco-eventos em parceria com o Grupo Pão de Açúcar, Uni Lever dentre outros e Produtor Cultural do Casa Brasil de Pirituba no ano de 2008, alem de toda a programação cultural do Alquimia Rock Bar em 2003 e 2004.