Resenhas

Velhas Virgens - 2009 - Ninguem Beija Como as Lesbicas

Por Fabiano Cruz | Em 08/11/2009 - 20:59
Fonte: Alquimia Rock Club

O Velhas Virgens sempre foi visto como a banda daqueles sacanas que só falam em bebedeira e sexo, mas por causa de suas letras hilárias (e muitas vezes filosóficas sobre a vida!), poucos davam atenção ao Rock’n’Roll simples carregado de Blues em suas músicas. Após o mediano Cubanajarra e do excelente ao vivo 21 Anos de Velhas Virgens, a banda entrou em processo de gravar um novo disco... Demorou um tempo a sair (ainda mais porque são independentes e não é nada fácil), mas o Ninguém Beija Como as Lésbicas chegou com tudo, sendo um dos melhores – na minha humilde opinião, o melhor! – trabalho da banda!
 


Bem, musicalmente a banda está num nível gigantesco... A cozinha do Tuca e do Simon está perfeita, principalmente a bateria. As guitarras bem mais trabalhada nos riffs e as vozes do Paulão (vemos pelo CD pelo menos 3 timbres diferentes trabalhados), junto com a voz da Ju Kosso tornaram os sons desse novo CD muito bem lapidados, mas sem perder aquela simplicidade característica da banda. Percebemos isso claramente em músicas como Bunda Boa, Ninguém Beija Como as Lésbicas e Strip & Blues. Novas influências, como o uso de vários instrumentos percussivos (até palmas em alguns sons) também percebemos pelo CD. A fantástica Bortolloto Blues segue nessas novas idéias da banda.
 


Aliás, falando da Bortolloto Blues – uma das faixas que mais se destaca – vemos como a banda está cada vez mais irônica e sarcástica nas letras! A Boca, A Boceta e A Bunda, F.D.P e O Amor é Outra Coisa tem as letras mais engraçadas (e o pior: sinceras e verdadeiras!) que a banda já fez. Claro que as baladas com letras filosofando sobre a vida não poderiam faltas, como a hilária Eu Bebo Pra Esquecer e a fenomenal A Última Partida de Bilhar (atire a primeira pedra o homem que nunca deixou a bebedeira e os rolês por causa de mulher!). Como já vimos na entrevista, as músicas são intercaladas por vinhetas, tornando um disco um tipo de Rock Ópera – no encarte do CD tem a história -, mas foram criadas de uma maneira que as músicas podem muito bem serem executas ao vivo separadas, sem perder o sentido das letras!
 


Abre uma cerveja, chame um monte de pessoas – dê preferência a muitas mulheres! – e coloque esse CD, o melhor lançamento do ano em se tratando de Rock Nacional, pra ouvir numa “festa sem fim”



Fabiano Cruz

Músico formado em composição e arranjo, atualmente expande seus estudos musicais na UNIS em licenciatura. Possui DRT em Jornalismo e Produtor Cultural e trabalha na área de criação musical, com já fez trabalhos em produções artísticas, rádio e TV.