Já fazia algum tempo que eu queria ver uma apresentação do Carro Bomba, uma banda de destaque nessa nossa onda de renovação que vem surgindo no Rock ‘n ‘Roll nacional. Acompanho a banda desde o lançamento de seu primeiro CD, mas somente agora tive oportunidade de presenciá-los ao vivo. Depois de algumas mudanças no line-up e promovendo o mais novo álbum, Nervoso, os músicos Rogério Fernandes (voz), Marcelo Schevano (g), Fabrizio Micheloni (bx) e Heitor Schewchenko (d), mostram toda a força que o Carro Bomba tem em cena.
E que força! Abrindo com a poderosa Sangue de Barata, eles já nos mostram que não estão de brincadeira no palco. Segue depois Intravenosa e Bomba Blues, fazendo jus ao nome do novo álbum, pois a banda ao vivo realmente é “nervosa”, um peso absurdo, deixando um pouco de lado a veia Hard Rock mostrada nos primeiros trabalhos e apostando numa sonoridade mais Metal. Após a “balada” Fui, Rogério tenta animar um pouco o público, pois realmente “num show de rock todo mundo sentado é de foder!” – como disse o próprio. Talvez pelo lugar (o Centro Cultural de São Paulo) sendo um tanto intimista, os presentes estavam mesmo meio acanhados, mas aos poucos foram se liberando e chegando mais próximo ao palco e da banda.
Eu Sei Mas Não Me Lembro, do segundo trabalho do Carro Bomba, abre caminho pra as contagiantes Corpo Fechado,Válvula e Passageiro da Agonia. A presença de palco da banda é nota dez, principalmente o Fabrizio: um cara que não para um só momento no palco, agitando o som inteiro, algumas vezes me lembrou muito a postura de palco que o saudoso Cliff Burton tinha nos tempos áureos do Metallica. Overdrive Rock ‘n ‘Roll chega para todo mundo agitar, e é seguida da dobradinha O Foda-se e O Foda-se II (duas das letras mais raivosas que já vi no cenário nacional)
Chegando ao fim, mandam a primeira música do primeiro trabalho, O Dobro ou Nada (que na atual sonoridade da banda ficou perfeita!), seguida de Punhos de Aço. Como “saideira”, o Carro Bomba toca a já clássica Trangressores, com Rogério chamando o povo pro palco – uma meia dúzia até subiu, principalmente um moleque que deveria ter seus 10 anos de idade, e agitou como gente grande (esse ta no caminho certo!) – uma atitude legal que faz a banda ficar bem próxima do público!
Um show empolgante dessa banda que é a mais “nervosa” das que estão renovando o nosso querido cenário nacional. E a apresentação não terminou aqui! Fabrizio chamou todos os presentes para uma cerveja nos bares a frente do CCSP. Isso sim é um perfeito fim de show de uma banda de puro rock ‘n ‘roll!
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Fabiano Cruz
Músico formado em composição e arranjo, atualmente expande seus estudos musicais na UNIS em licenciatura. Possui DRT em Jornalismo e Produtor Cultural e trabalha na área de criação musical, com já fez trabalhos em produções artísticas, rádio e TV.