O Violeta de Outono tem uma tradição: sempre que um disco é lançado, o show de lançamento acontece no SESC Pompéia, e não seria diferente com o lançamento de Espectro. Com a choperia não muito lotada, muitos fãs do Violeta de Outono já mostravam conhecer o novo disco, e com uma mesa com o material da banda (e também material da Invisible Opera Company of Tibet, trabalho paralelo do pessoal do Violeta de Outono) deu pra perceber o quanto estava sendo aguardado esse novo trabalho, pois sendo a banda uma das mais conceituadas do Rock Progressivo nacional, não lançava material de inéditas desde 2007, com o Volume 7, e consta agora na formação um dos maiores bateristas do Rock brasileiro, José Luiz Dinóla, fundador d’A Chave do Sol.


Sem nenhum atraso, a instrumental faixa título do novo trabalho foi sendo executada com um a um subindo em palco, começando por Dinóla, Fábio Golfetti (voz e guitarra), Fernando Cardoso (teclados) e Gabriel Costa (baixo), tocando logo depois a quase hipnótica Solstício. Com o show sendo de lançamento de Espectro, Golfetti anuncia então o show preparado de forma especial, tocando o novo trabalho na íntegra. Montanhas da Mente e Dia Azul mostrou o caminho já iniciado no volume 7, da banda puxar bastante pro lado mais Progressivo e deixando seu lado Psicodélico – forte nos primeiros trabalhos  - mais como texturas e efeitos, deixando as novas músicas com bastante vigor. A belíssima Ondas Leves teve seu fim com um curto solo de bateria de Dinóla, abrindo espaço para a bem “rocker” Claro Escuro (que mostra uma certa influência do Gong, cujo criador David Allen vem fazendo bastante trabalhos e apresentações com o pessoal do Violeta de Outono)


Algum Lugar é outra peça belíssima e a banda emociona os presentes com Anos-luz, uma homenagem à figura lendária de Manito, um dos maiores nomes da música brasileira, recém falecido (Cardoso tocou junto com Manito na reformulação do Som Nosso de Cada Dia). A última música de Espectro foi a já clássica (e bem conhecida, pois a banda já vinha tocando ela nos shows) Formas-Pensamento, uma das melhores composições da história da banda. Depois da apresentação do novo trabalho, hora dos clássicos, começando com duas músicas do Volume 7: Além do Sol e a bem cultuada Fronteira. Um solo de Hammond de Cardoso abre Tomorrow Never Knows, o tradicional cover dos Beatles que integra todos os set lists da banda, aqui tocado de uma maneira mais curta sem longos solos de Fábio devido ao tempo de show da casa, fator que fez também a banda não demorar muito para o bis, tocando músicas de seu primeiro disco (que foi recém relançado de forma remasterizada): Dia Eterno, Faces e a cantada quase em uníssono com os presentes, Outono.


O Violeta de Outono esbanja técnica ao vivo. Fábio Golfetti está tocando cada vez mais, inclusive sua técnica bem pessoal de tocar Slide soa perfeitamente ao vivo, fora os inúmeros efeitos em que usa ao vivo tanto na voz como na guitarra. Gabriel Costa deixa seu baixo com linhas consistentes e bem melódicas, muitas vezes segurando a “bronca” quando Golfetti e Cardoso dobram algumas linhas melodias e/ou fazem seus solos; a interação com Dinóla foi perfeita, parecendo que ambos tocam juntos a anos na mesma banda. E Cardoso com seu Hammond e Fender Rhodes dispensa maiores apresentações... Como o próprio Fabio falou no meio da apresentação, essa nova sonoridade do Violeta de Outono se deve muito ao Cardoso e seus conhecimentos musicais. Um show perfeito de um pouco mais de uma hora e meia de duração, com a banda lançando um trabalho de alto nível.

(Fotos: Leandro Pena - www.leandropena.com, contato@leandropena.com)


 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 


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