Resenhas

Soulfly - 2025 - Chama

Por William Lima | Em 26/10/2025 - 13:43
Fonte: Alquimia Rock Club
Arte: Carletta Parrish 
 
Se você sentiu saudade do Soulfly dos primórdios, prepare-se: Chama é o disco que você esperava desde 1999. Max Cavalera e sua trupe reacendem a fogueira tribal com um álbum que soa como uma viagem no tempo, mas com a brutalidade e maturidade de quem sobreviveu a todas as guerras.
Gravado no Platinum Underground Studio e produzido por Zyon Cavalera e Arthur Rizk, Chama é um ritual de 33 minutos que evoca o espírito do primeiro Soulfly (1998) e do Primitive (2000). A abertura com “Storm The Gates” já deixa claro que a proposta é direta: riffs secos, percussão tribal e uma fúria que parece ter sido destilada em pleno calor do cerrado.
 
A faixa “Nihilist”, dedicada a LG Petrov, é um dos momentos mais emocionantes do disco, um lamento gutural que mistura groove e melancolia. Já “No Pain = No Power” é puro caos controlado, com participações de Dino Cazares, Gabe Franco e Ben Cook, e um clipe que mistura UFC, suor e riffs como se fosse 1999 em pleno 2025.
 
 
O conceito do álbum — um menino das favelas que busca iluminação espiritual entre tribos amazônicas — é o elo entre o passado e o presente. Max canta em português, evoca entidades, e transforma cada faixa em um ritual. É como se a chama que acendeu o Soulfly há 25 anos tivesse sido reacesa com gasolina e sangue.
 
A formação atual: Zyon C. na bateria, Igor Amadeus C. no baixo e Mike De Leon na guitarra — entrega uma performance coesa, crua e cheia de alma. A química entre pai e filhos é palpável, e o resultado é um disco que soa urgente, necessário e visceral. Max Cavalera soa como Vin Diesel: "Eu não tenho amigos, eu tenho família"... e simplesmente .. funciona!
 
Chama não tenta reinventar a roda. Ele a coloca para girar com força, como nos tempos em que o Soulfly era uma entidade selvagem e imprevisível. É um retorno às raízes, mas com os pés firmes no presente. Um lembrete de que a fúria espiritual de Max Cavalera ainda queima — e queimar é exatamente o que esse disco faz.
 
 
Faixas:
 
1 - Indigenous Inquisition
2 - Storm The Gates
3 - Nihilist (com Todd Jones)
4 - No Pain = No Power (com Ben Cook, Dino Cazares & Gabriel Franco)
5 - Ghenna (com Michael Amott)
6 - Black Hole Scum
7 - Favela / Dystopia
8 - Always Was, Always Will Be...
9 - Soulfly XIII
10 - Chama
 
 

Links:

 

https://www.soulfly.com/

https://www.instagram.com/thesoulflytribe

https://www.facebook.com/SoulflyOfficial

https://www.youtube.com/user/soulflyband

 

Foto: Jim Louvau (@jimlouvau)

 



William Lima

Programador responsável pela estrutura do site Alquimia Rock Club, Desenvolve sistemas para Internet. Trabalha na área desde 2005.




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