Se você acha que o melhor do rock ficou nos anos 70, os suecos do Graveyard estão aí para discordar, ou talvez para concordar com você do jeito deles. São quase vinte anos de estrada, e Fever, o sétimo disco, segue a mesma receita de sempre: guitarra distorcida, blues e um hard rock que dispensa produção cheia de firula.

O álbum sai pela Nuclear Blast três anos depois de 6 (2023), que era mais sombrio e voltado para dentro. Desta vez a banda parece querer reencontrar um pouco da energia de Hisingen Blues (2011), o disco que colocou o Graveyard no mapa dessa turma que vive com um pé nos anos 70. Só que ninguém aqui está tentando refazer aquele álbum. Dá para perceber que os caras envelheceram, no bom sentido, e isso aparece nas músicas.

"Back From The Grave" abre os trabalhos com um riff pesado, cheio de fuzz, que caberia tranquilamente nos primeiros discos do Black Sabbath. Oskar Bergenheim segura a bateria sem inventar, e Joakim Nilsson canta rasgado, quase no limite, do jeito que a música pede. Para abrir disco, não tinha escolha melhor.

"Tongue Tied" continua pesada, mas vai mais direto ao ponto: hard rock de refrão que gruda e guitarras bem amarradas. "A Better Cut (Note To Self)" tira o pé do acelerador, puxa mais para o blues e deixa os instrumentos respirarem. Não está entre as melhores do disco, mas serve para mostrar que a banda muda de clima sem deixar de soar como ela mesma."Year Of The Horse" segue no clima setentista, com baixo e bateria bem casados e um andamento que prende. A pancada volta em "A Means To An End", o primeiro single. Riff forte, baixo firme e um refrão que funciona. Sem complicação nenhuma, e por isso mesmo uma das melhores do álbum.

"Time To Tell" talvez seja a faixa que mais tem a cara do Graveyard. O blues vem com força, a guitarra tem um balanço que lembra Creedence Clearwater Revival e o baixo de Truls Mörck finalmente aparece de verdade. Nilsson também canta muito bem aqui, segurando a intensidade sem precisar gritar.

"Don't Shoot!" traz de volta as guitarras sujas e o ritmo marcado. "Room Tempered" é das mais diretas do disco, com bateria pesada e um riff que deve crescer bastante no palco. Nada disso é novidade, claro. Mas quando a banda sabe o que está fazendo, ninguém está cobrando que ela reinvente o rock.

O fechamento fica com "Dead Note", quase sete minutos arrastados, escuros e psicodélicos. O ritmo desacelera, as guitarras tomam conta e a música vai crescendo sem pressa. Depois de tanta faixa reta, pode soar estranho no começo, mas como encerramento funciona muito bem. O Graveyard sabe fechar um disco.

A mixagem de Pelle Gunnerfeldt deixa tudo bem à frente, sem aquele polimento exagerado que costuma apagar a personalidade de muita banda. A guitarra vem carregada de distorção, a bateria soa como bateria de verdade e o baixo não some atrás do resto. Combina com o que o grupo faz.

Fever não é um novo Hisingen Blues, e nem parece querer ser. Algumas faixas andam por caminhos bem conhecidos e faltam momentos de surpresa de verdade, mas o disco é sólido do começo ao fim. O Graveyard continua misturando blues, psicodelia e hard rock com personalidade própria.

São nove músicas de uma banda à vontade com quem ela é. Se você curte Black Sabbath, Cream e o rock pesado dos anos 70, vale dar o play. Não tem nada de novo aqui, e tudo bem. Tem fórmula que envelhece bem, ainda mais com guitarra boa.

 

Faixas:

1. Back From The Grave

2. Tongue Tied

3. A Better Cut (Note To Self)

4. Year Of The Horse

5. A Means To An End

6. Time To Tell

7. Don't Shoot!

8. Room Tempered

9. Dead Note